M. Daedalus - POETRY / POESIA
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Goa 1961

Uma chuva taciturna cinge a manhã,
Lágrimas caiem da cruz de uma alva basílica,
A Índia veste-se duma nostalgia mediterrânea.

Trovões artificiais alvoroçam as palmeiras
O pássaros esbatem-se num firmamento ingrato
Afonso de Albuquerque é invocado em Concanim
"Nehru vem aí" grita um soldado
"Um bandido, não um pândita!" alguém retorque.

Pateticamente a radio toca músicas patrióticas
Abafada pelos jactos que esventram as nuvens
Shiva vinga o reino de Cambaia
As Kalashnikoves ecoam os gritos de Bijapur
Salazar voa no jornal de ontem
A Rainha do Oriente afoga-se no Mandovi.

Elefantes perdem a compostura
Austins e Peugeots ficam abandonados na estrada do porto
Laranjas e pânico espalham-se sobre o cais
Um homem de fato branco guarda um punhado de terra
Panjim morrem por uma vida por inventar.

O império verte sangue Europeu e Asiático
Dadra e Nagar Aveli, os primeiros pérfidos golpes
Goa, Damão e Diu completaram as cinco chagas.

M.Daedalus

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